Sim, sou eu! E não pensem que perdedora está no título como uma traducão de loser (como diria o Fabrício, fracassado), mas como perdedora, que perde as coisas.

Não sei se foi meu pai que meu esse esse título (a Ana perde tudo), ou se ele veio naturalmente, conforme eu perdia as coisas. O fato é que em alguns momentos da minha infância foi muito frustrante ouvir que não ia ganhar o brinquedo X que tanto queria pois iria perder, e acabava ganhando roupas.. URGHHH, como eu odiava ganhar roupas! E como eu ficava revoltada com o título de perdedora…

Devo admitir que eu perdia, na verdade, esquecia algumas coisas sim. Guarda-chuvas… Ah, minha antiga escolinha deve ter ganhado dinheiro vendendo meus guarda-chuvas, eles simplesmente teimavam em não voltar para casa comigo! Me lembro de ter perdido um walkman tb, e uma carteira de identidade, e um par de óculos.. ehhehehe. Só que às vezes as coisas não eram perdidas, elas simplesmente eram escondidas por uma forca maligna, um caboclo escondedor da vida (essa é duma crônica de Fernando Sabino, que adoro!). Sim, é a mesma forca que atua sempre aqui na Finlândia escondendo minhas luvas.

Por que eu lembrei disso tudo? Bem, estava conversando com minha prima Marina, e ela perdeu o Playstation (!!!), na verdade ela acha que está na casa dela mas não consegue achar de jeito nenhum (detalhe: ela mora sozinha). Aí eu lembrei da história do meu RG sumido, que ela já conhecia, e demos umas risadas.

Essa história é a prova que realmente existe uma forca maligna, um caboclo escondedor, e que não sou eu quem perco tudo!

Tirei minha primeira carteira de identidade aos 12 anos. estava em Goiânia, de férias na casa do meu pai, e lá, o documento ficava pronto em 3 dias, no Rio, 3 meses. Resolvi fazer lá mesmo, fora que tinha um Automóvel Clube DO LADO (vizinho mesmo) da nossa casa, e dava para fazer lá. Lembro que fiquei treinando minha assinatura, afinal, a assinatura era algo muiiiito importante nas nossas vidas, e eu precisa ser capaz de repeti-la; pelo menos assim pensava.

Fiquei toda orgulhosa daquele RG, com uma fotinho rindo com meu cabelinho chanel que meu pai tanto adora.

Depois de um tempo de volta à Niterói, na casa da minha mãe, o RG desapareceu. Não era uma coisa que eu usava muito, não carregava na carteira, nada assim, então nem sei precisar quando ele realmente foi escondido. Acho que ele durou mais de um ano comigo, mas realmente não sei.

ÓBVIO que todos usaram isso contra a minha pessoa, aumentando minha fama de ‘perdedora’ que eu tanto detestava.

E eu nunca mais tive notícia desse RG. Tirei outro, já com cabelo comprido e cara de mal (já ’sabia’ que temos que estar sérios nessa hora).

10 anos depois, sim 10 anos depois; eu já morava sozinha em São Paulo há tempos; minha mãe resolve jogar fora o armário dela, cheio de cupins. Adivinhem o que ela encontrou????? MEU SORRIDENTE RG! Prova que o caboclo escondedor existe sim, e que escondera meu RG de propósito nos confins do armário da minha mãe. Afinal, por que diabos eu poria minha identidade lá???

A pergunta agora, que não quer calar é: e então, onde está agora esse RG? Hum… eu não sei… quer dizer, tenho quase certeza que ele está com meu amigo-procurador-ex-namorado. Como eu tinha 2 identidades, e 2 carteiras de motorista (mas essa é porque roubaram minha carteira, e depois devolveram os documentos), ele tinha esses extras. Acho que ficou com ele… hum… não sei bem!

Pois bem, eu disse à Marina: ‘Lembra do meu RG? Quem sabe daqui a 10 anos o seu videogame não resolve por a cabecinha para fora e ser encontrado?’. Demos boas risadas.

Um beijo