Acabei de assistir Sin City. O filme tem um visual animal, mas é meio bizarrinho. Não conheco os quadrinhos que originaram o filme, but anyway, valeu a locacão.
Eu comeco a achar que virei uma pessoa BEEEEEEEEEEEEEEEM mais tímida e calada na Finlândia. E não gosto disso. No geral estou rodeada de pessoas com quem não me sinto tão à vontade para conversar, com quem a similaridade de gostos, estilo de vida, etc é simplesmente diametralmente oposta. Basicamente não tenho assunto. EU! Eu, que falo pelos cotovelos, não tenho assunto para conversar com esses finns.
Eu tenho uma colega finlandesa, do trabalho, Kirsi. MESMO com ela eu me sinto sem assunto. Que coisa. Será que minha vida é tão pouco interessante, ou ainda, será que EU sou tão pouco interessante que não tenho nada a declarar? Bem, a Kirsi me disse que estava tentando combinar uma viagem de navio (acho que bate e volta em Estocolmo) com outras 2 amigas dela que eu conheco (e gosto), Johanna e Sari. Só que acho que não vou poder ir, vai ser na época que estarei no Brasil. Uma pena. Queria ter um bonding maior com essas meninas.
Um detalhe é que a Kirsi tem um corte de cabelo medonho. Acho que isso aumentou minha “falta de assunto”, pois desde que ela cortou, eu sinto que fico constantemente encarando o cabelo dela e pensando ‘Meu Deus, como alguém faz isso!??!?!’
Aquele cabelo horroroso tira minha concentracão! É, me internem no hospício que sou um caso sem solucão!
Amanhã vamos FINALMENTE ao Naantalin Kylpylä, que é um spa, termas, seja lá qual a palavra melhor. Massagem, banhos aromáticos, sauna, piscina, jantar… hummmmm Delícia!!
E é só… hasta la vista!
Cortei minha franjinha e ficou ótimo!
Melhor do que quando o cabelereiro corta! Sério! Quando ele corta só fica bom no mesmo dia, enquanto o cabelo está penteadinho. Quando eu penteio no dia seguinte, fico com a impressão que a franja está toda torta!
Então resolvi não gastar uma grana só por causa disso e não ficar tão satisfeita e fiz sozinha. Eu não contei aqui, mas há meses atrás eu tentei e ficou péééééééssimo! Ainda bem (olha o meu lado Pollyana falando) que eu já caguei tudo de cara, pois aí deixei o resto da franja comprida e camuflava a parte detonada. MAS como uma garota espera com 25 anos de praia, aprendi minha licão e fiz direitinho dessa vez!
Às vezes eu me sinto dentro de um buraco. Bem fundo e escuro.
Eu estou lá dentro. Grito mas ninguém me escuta. Sozinha.
Morar fora tem esses problemas. De vez em quando bate uma solidão…. Mas passa.
Eu e meu peso - pra quem tiver paciência de ler
Finalmente comecei uma dieta. Para valer! Pelo menos, assim espero..
Eu já fui uma menina bem magrinha e bonitona…. Mas é claro, que nessa época, eu não me achava nada disso. Me achava gorda. Por que é que mulher é um bicho assim complicado? Por que nunca nos estamos satisfeitas com nosso corpo? Que coisa! Bem, mas isso foi dos meus 18 aos 20 anos mais ou menos. Pesava 52, 53 kg, com meus gigantescos 160 cm de altura. Nossa, hoje eu vejo fotos dessa época e me invejo….
Não sei bem quando tudo comecou a mudar. Acho que foi quando comecei a estagiar… Muito almoco em shopping, muita comida não-saudável (Mc Donald’s.. hum.. delícia!), pouco exercício… Não sei bem. E também eu comecei a namorar o Sakura nessa época… Talvez uma relacão estável fez com que eu me descuidasse um pouco, sei lá. Eu sei que fui engordando pouco a pouco. Inchando. Não teve um boom, tipo 5 kg num mês, foi gradual.
Aí eu estacionei, na casa dos 58, 60 kg, não me lembro (quanto era, Marina?). Morava com a Marina, minha prima, e a Tarsila, em São Paulo. As três estavam insatisfeitas com a situacão circular do nosso corpo, então resolvemos ir numa endocrinologista. Por algum motivo, eu não pude ir à primeira consulta, e foram só as duas. A dieta que a médica passou era simples, permitia que comessemos de tudo, mas precisávamos contralar nós mesmas as calorias consumidas, no caso, era a dieta dos pontos (contávamos pontos, e não calorias). Dessa forma, podíamos fazer nossas estravagâncias de um cheeseburger, mas não poderíamos comer muito mais do que isso no dia. Tinha um caderninho e anotava TUDO que comia. Tem que fazer isso, senão perde-se o controle do que foi consumido. Seguimos bem nessa dieta por 1 mês, 2, não me lembro. Mas aí a perda de peso estacionou, e desanimamos.
Quando mudei para São José dos Campos e comecei a trabalhar nesta mesma empresa, aí desandei de vez. Tomava café da manhã e almocava lá, e a comida era boa! E para piorar, tinha o demônio da Coca-cola, de graca…. E claro, não tinha o anjo do guaraná diet para salvar. TODOS os trainees engordaram… hehehehe…
Nessa altura, eu devia estar pesando uns 65 kg. Lembro que uma vez me pesei na casa do Sakura e me assustei “Sak, eu estou com o peso da besta! 66,6kg!”. Estava me sentindo BEM baleia…
Antes de sair do Brasil, tirei 2 semanas de férias. Durante as quais, comi que nem uma alucinada. Sabe, acho que para matar as saudades que surgiriam, guludice, sei lá. Saí do Brasil pesando uns 68, BEM redonda, mas também desencanada. Eu iria passar por um treinamento na INglaterra e Itália, então não era a hora de estressar com isso e regular tanto a comida, especialmente na Itália.
Aí finalmente cheguei na Finlândia. No finzinho de setembro de 2003. A comida daqui é bem diferente, e eu me cansava das batatas com algo não-identificado que era servido na cantina. Sem fazer dieta, sem exercício, sem abrir mão do meu Mc Donald’s nem nada, perdi 7 kg até o Natal. O pessoal da fábrica ficou impressionado, e dizia que minha família não ia deixar eu voltar da Finlândia (quando me vissem no Natal), pois iam achar que estavam me tratando mal por aqui. Eu fiquei feliz poiz, apesar de não estar no peso que gostaria, estava mais magra.
Nesse ano, lentamente comecei a engoradar de novo. Comecei a namorar o Sami, e fazemos muitos programas comilões. Adoro comer fora, mas quando não namorava, nunca ia, não tem graca ir sozinha né? Então eu e ele fomos engordando. Atingi novamente o peso da besta e me entristeci.
E para completar, a irmã do Sami casa-se daqui a 3 semanas. Eu experimentei 2 vestidos de festa que tenho. Um serviu bem, mas ficou feio, pois marca a barriga da orca aqui. O outro, que usei na minha festa de formatura há 16 meses atrás, mal fechou, ficou apertadíssimo. O Sami também não está lá muito satisfeito com suas formas… Alega que há um ano tinha até o abdômem definido (essa eu quero ver!).
Resolvemos fazer então uma dieta, em conjunto!
Eu já percebi que ele é fraco, cede às tentacões facilmente… ehehhehe… Tenho tentado ajudá-lo a se controlar, mas não tem sido fácil. Fora que gostamos de coisas (as lights) totalmente diferentes, então às vezes é difícil para mim fazer um jantar dietético que agrade um pouco a ambos.
Não estou seguindo nenhuma dieta específica, nem sei quantas calorias estou ingerindo. Eu criei meu próprio programa.
Pretendo continuar tomando meu leitinho com nescau de manhã. Pelo menos aqui, o leite desnatado é bom, melhor do que o semi-desnatado no Brasil. Estou levando uma macã, pera, ou banana para comer quando der fome, antes de almocar. E almoco e jantar são sopa, sanduíche natural, ou salada com frango, carne ou ovo. Quando chego do trabalho, também como alguma outra fruta em casa.
E água. Bebo MUITA água. É ótimo! Quando comeca a dar fome, eu bebo um copão de água. Enche o estômago e alivia um pouco, atrasa a hora de comer. Caso contrário eu almocaria umas 10 da manhã!
O primeiro dia foi duro. Fiquei com fome o tempo todo, mesmo depois de acabar de comer. Ontem foi bem mais fácil, não senti tanta fome. Hoje tudo parece ir bem.
O ruim para mim das dietas é que são monótonas. Eu acabo comendo sempre as mesmas coisas. Isso por minha culpa, por ser FRESCA demais com legumes, frutas e vegetais. Mas… vamos ver quanto tempo vou aguentar! Se eu conseguir perder 1.5 kg por semana, estarei satisfeita. E já vou estar numa forma melhorzinha até o casório…
Vou ver se coloco ali do lado, à direita, um acompanhamento do meu peso! Eu me peso todo dia ao acordar, ainda em jejum. Esse vai ser o peso que vc vai ver lá….
Torcam por mim, e me deem forca para continuar ok?
Mil beijos
Aninha baleinha
PS: Nossa, o post ficou gigante… parabéns à quem teve paciência e chegou até aqui!
Escrevo hoje para compartilhar uma notícia maravilhosa com todos vocês. Algumas poucas pessoas da minha família, e amigos, já sabiam. Mas a maioria, não.
A vida às vezes dá voltas muito esquisitas, e muita coisa acontece que foge da nossa compreensão. Acho que isso aconteceu comigo. Eu fico imaginando o que me trouxe à Finlândia… Teve muita dose de acaso nisso também! Entre todos os trainees, eu e o Marcelo fomos “escolhidos” para vir para cá por dois simples motivos: 1. Nenhum dos trainees falava finlandês; e 2. Nós trabalhávamos com vidro laminado (e na Finlândia o trabalho seria no Laminado). Aí também tem mais um acaso: por quê eu estava no Laminado? Sei lá porque o RH me pôs lá; eu deveria ter ficado um ano lá, e depois um ano em desenvolvimento de produto (e o Sílvio, que estava em Desenv., e hoje está na Alemanha, deveria ir pro Laminado). Ou seja, se o RH tivesse trocado as datas, a minha com a do Sílvio, eu provavelmente não estaria aqui hoje.
Outra reviravolta é a que acontece no coracão. Eu nunca imaginava que após ter amado tanto uma pessoa, fosse possível voltar a amar. Pois é, eu saí do Brasil namorando, apaixonada, certa de que havia achado o homem da minha vida; e vi nosso relacionamento ruir com a distância, provavelmente culpa dos dois. Nessa horas a gente pensa “Valeu a pena?”, “Será que era para ser assim?”.
O motivo pelo qual escrevo essas linhas já foi denunciado nos parágrafos anteriores: sim, eu voltei a amar! E só não havia “contado” antes pois haviam certas complicacões. Claro, como tudo na vida… No meu caso, a complicacão é que ele é… bem, digamos, meu chefe. Pensem o que quiserem, falem o que quiserem, eu já me crucifiquei o suficiente pensando o quanto isso era uma loucura, o quanto isso era proibido, tabu, e etc. Não só eu, como ele também. Mas hoje chegamos a conclusão que a nossa felicidade vem primeiro. Estamos saindo do armário.
Pensamos em me mudar de área, para que eu respondesse para outra pessoa. Ele mesmo conversou com o gerente da fábrica, contou sobre nós dois (e ouviu como resposta um sorrisinho com um ‘eu já sabia’… acho que é difícil esconder quando se está apaixonado) e sugeriu a mudanca, que eu passasse a reportar direto pro gerente da fábrica. O gerente respondeu que as coisas ficariam como estão, pois acha que trabalhamos bem juntos, formamos um bom time e tal, e que não haverá problema.
Eu só não contei isso antes pois creio que deveria se tornar público primeiro por aqui. Que todos os nossos colegas de trabalho, todos os finlandeses saibam que estamos juntos. Somenete após esse passo me sinto à vontade para liberar a notícia ao vento.
E por favor, nem me perguntem sobre o que acontecerá em Setembro de 2005 (quando meu assingment termina). Deixem-nos curtir essa tal felicidade por agora. Quando os probelmas chegarem, a gente pensa neles!
E aí vai, uma foto de nós dois, na praia em Turku!
Beijos, e bom final de semana a todos.
Sim, sou eu! E não pensem que perdedora está no título como uma traducão de loser (como diria o Fabrício, fracassado), mas como perdedora, que perde as coisas.
Não sei se foi meu pai que meu esse esse título (a Ana perde tudo), ou se ele veio naturalmente, conforme eu perdia as coisas. O fato é que em alguns momentos da minha infância foi muito frustrante ouvir que não ia ganhar o brinquedo X que tanto queria pois iria perder, e acabava ganhando roupas.. URGHHH, como eu odiava ganhar roupas! E como eu ficava revoltada com o título de perdedora…
Devo admitir que eu perdia, na verdade, esquecia algumas coisas sim. Guarda-chuvas… Ah, minha antiga escolinha deve ter ganhado dinheiro vendendo meus guarda-chuvas, eles simplesmente teimavam em não voltar para casa comigo! Me lembro de ter perdido um walkman tb, e uma carteira de identidade, e um par de óculos.. ehhehehe. Só que às vezes as coisas não eram perdidas, elas simplesmente eram escondidas por uma forca maligna, um caboclo escondedor da vida (essa é duma crônica de Fernando Sabino, que adoro!). Sim, é a mesma forca que atua sempre aqui na Finlândia escondendo minhas luvas.
Por que eu lembrei disso tudo? Bem, estava conversando com minha prima Marina, e ela perdeu o Playstation (!!!), na verdade ela acha que está na casa dela mas não consegue achar de jeito nenhum (detalhe: ela mora sozinha). Aí eu lembrei da história do meu RG sumido, que ela já conhecia, e demos umas risadas.
Essa história é a prova que realmente existe uma forca maligna, um caboclo escondedor, e que não sou eu quem perco tudo!
Tirei minha primeira carteira de identidade aos 12 anos. estava em Goiânia, de férias na casa do meu pai, e lá, o documento ficava pronto em 3 dias, no Rio, 3 meses. Resolvi fazer lá mesmo, fora que tinha um Automóvel Clube DO LADO (vizinho mesmo) da nossa casa, e dava para fazer lá. Lembro que fiquei treinando minha assinatura, afinal, a assinatura era algo muiiiito importante nas nossas vidas, e eu precisa ser capaz de repeti-la; pelo menos assim pensava.
Fiquei toda orgulhosa daquele RG, com uma fotinho rindo com meu cabelinho chanel que meu pai tanto adora.
Depois de um tempo de volta à Niterói, na casa da minha mãe, o RG desapareceu. Não era uma coisa que eu usava muito, não carregava na carteira, nada assim, então nem sei precisar quando ele realmente foi escondido. Acho que ele durou mais de um ano comigo, mas realmente não sei.
ÓBVIO que todos usaram isso contra a minha pessoa, aumentando minha fama de ‘perdedora’ que eu tanto detestava.
E eu nunca mais tive notícia desse RG. Tirei outro, já com cabelo comprido e cara de mal (já ’sabia’ que temos que estar sérios nessa hora).
10 anos depois, sim 10 anos depois; eu já morava sozinha em São Paulo há tempos; minha mãe resolve jogar fora o armário dela, cheio de cupins. Adivinhem o que ela encontrou????? MEU SORRIDENTE RG! Prova que o caboclo escondedor existe sim, e que escondera meu RG de propósito nos confins do armário da minha mãe. Afinal, por que diabos eu poria minha identidade lá???
A pergunta agora, que não quer calar é: e então, onde está agora esse RG? Hum… eu não sei… quer dizer, tenho quase certeza que ele está com meu amigo-procurador-ex-namorado. Como eu tinha 2 identidades, e 2 carteiras de motorista (mas essa é porque roubaram minha carteira, e depois devolveram os documentos), ele tinha esses extras. Acho que ficou com ele… hum… não sei bem!
Pois bem, eu disse à Marina: ‘Lembra do meu RG? Quem sabe daqui a 10 anos o seu videogame não resolve por a cabecinha para fora e ser encontrado?’. Demos boas risadas.
Um beijo
Olá, muito prazer! Essa ao lado sou eu, a Ana! 
